Onde o Rio convida à pausa: refúgios para arejar a cabeça no meio da semana

Onde o Rio convida à pausa: refúgios para arejar a cabeça no meio da semana

Cuidar da saúde mental nem sempre depende do fim de semana ou de um plano elaborado. Às vezes, basta uma hora bem usada em um jardim, uma livraria silenciosa ou diante de uma bela vista. O Rio, apesar do ritmo, oferece esses respiros, e vale a pena conhecê-los.

O Jardim Botânico segue sendo o mais óbvio e, ainda assim, subestimado. Caminhar entre as palmeiras imperiais logo cedo, antes dos grupos turísticos, funciona como uma espécie de meditação acidental. Ao lado, o Parque Lage abriga o Plage Café, instalado num palácio aos pés do Corcovado, bom para uma conversa sem pressa ou uma manhã de leitura.

Na Zona Sul, a Livraria da Travessa de Ipanema continua sendo um dos refúgios mais generosos da cidade. Aberta até as 22h, com café no andar superior e jazz ao fundo, é o tipo de lugar onde se passam duas horas sem perceber. No Centro, entre um fórum e outro, o Real Gabinete Português de Leitura tem entrada gratuita e um efeito restaurador surpreendente: bastam quinze minutos sob as estantes de madeira escura.

Para uma manhã mais longa, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), no Aterro, reúne boas exposições, os jardins de Burle Marx e uma vista privilegiada da Baía. E, quando o expediente termina cedo, o Mirante Dona Marta entrega o Rio inteiro em poucos minutos de subida, daquelas paisagens que recolocam tudo no tamanho real.

A lista poderia ser maior. Caberiam o Parque do Flamengo numa caminhada de fim de tarde, o Mosteiro de São Bento numa visita silenciosa, o Sítio Burle Marx num sábado mais folgado. O ponto é simples: em cada esquina, a cidade oferece um convite à pausa. Basta aceitá-lo.

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O cérebro representa cerca de 2% do peso corporal, mas consome aproximadamente 20% da energia produzida pelo organismo. Essa demanda precisa ser atendida de forma estável, sob o risco de comprometer atenção, memória e capacidade de decisão nos momentos em que o desempenho mental é mais exigido.

A hidratação tem peso maior do que costuma receber nesse debate. Uma pesquisa publicada no British Journal of Nutrition demonstrou que uma perda de apenas 1,5% do peso corporal em água é suficiente para reduzir a memória de trabalho, a atenção e o tempo de reação, mesmo sem alteração da temperatura corporal. As funções mais afetadas são justamente as exigidas em leitura crítica, análise documental e raciocínio jurídico e a recomendação geral é consumir entre 30 e 35 ml de água por quilo de peso ao longo do dia, sem esperar a sede como sinal de alerta.

O café merece consideração à parte. A Food and Drug Administration (FDA) considera segura para adultos saudáveis a ingestão diária de até 400 mg de cafeína, o equivalente a três ou quatro xícaras, e recomenda evitar o consumo após as 14h, já que o efeito pode persistir por até oito horas no organismo. A Sociedade Brasileira de Cardiologia trabalha com parâmetros semelhantes. Importante lembrar que a cafeína mascara a sensação de cansaço, mas não substitui o sono, e o uso recorrente para compensar noites mal dormidas tende a produzir um ciclo difícil de quebrar.

Entre os aliados do bom desempenho cognitivo estão peixes ricos em ômega-3, oleaginosas e abacate, frutas vermelhas e cítricas, vegetais de folhas verdes escuras e cereais integrais, que oferecem energia de liberação lenta e evitam os picos e quedas característicos do açúcar refinado. A estratégia mais eficaz para rotinas intensas, no entanto, está menos na escolha de alimentos específicos e mais na regularidade: comer em intervalos de três a quatro horas, em pequenas porções, evita longas pausas seguidas de refeições pesadas, que comprometem a concentração no período seguinte.

Cuidar da alimentação em dias de cabeça pesada é parte da estratégia profissional. O retorno aparece na clareza mental, na disposição sustentada e na capacidade de manter o rendimento até o fim da jornada.

Cinco hábitos simples para dias de alta demanda:

✓ Comece o dia com um copo de água em jejum e mantenha uma garrafa visível na mesa;

✓ Coma a cada três ou quatro horas, com lanches leves entre as refeições principais;

✓ Inclua proteínas, gorduras boas e cereais integrais nas refeições principais;

✓ Reduza doces e ultraprocessados, que geram pico de energia seguido de queda rápida;

✓ Limite o café a até 400 mg de cafeína por dia e evite o consumo após as 14h.

Cansaço que não passa com o fim de semana, noites mal dormidas que se acumulam, falta de paciência com situações triviais e dificuldade para sustentar o foco em uma audiência longa ou na leitura de um processo complexo. Para muitas mulheres na faixa dos 40 e 50 anos, esse conjunto de sinais costuma ser lido como esgotamento profissional, quando, na verdade, pode ter origem hormonal, ou nas duas coisas ao mesmo tempo.

A confusão tem explicação biológica. O estrogênio tem papel fundamental na produção de energia no cérebro e sua diminuição na perimenopausa afeta regiões ligadas à regulação da temperatura corporal, ao sono, à memória, ao humor e à libido. Aproximadamente dois terços das mulheres nessa fase relatam sintomas cognitivos como problemas de memória e déficits de atenção, ao lado das ondas de calor e da irregularidade menstrual. A transição costuma ser longa, podendo durar de quatro a dez anos, com sintomas que começam já na faixa dos 35 a 45 anos, muito antes do diagnóstico convencional.

No cenário profissional, o impacto é mensurável. Estudo da Mayo Clinic estima que cerca de 1,8 bilhão de dólares sejam perdidos por ano em razão dos sintomas da menopausa e que uma em cada dez mulheres deixa o emprego nesse período, frequentemente relatando falta de concentração e redução de energia. A sobreposição com o burnout merece atenção especial em profissões de alta exigência cognitiva e carga emocional, como a magistratura e a advocacia, sobretudo quando se somam prazos rígidos, exposição a conflitos e dupla jornada.

A pista mais útil para diferenciar os quadros é olhar para o conjunto de sintomas. Ondas de calor, suores noturnos e irregularidade menstrual apontam para o eixo hormonal, enquanto o cinismo em relação ao trabalho, a sensação de despersonalização e a perda de propósito profissional são mais característicos do burnout. Quando os dois coexistem, tratar apenas um pode deixar a outra metade do problema sem resposta e por isso o olhar integrado, com avaliação ginecológica, clínica e, quando necessário, psicológica ou psiquiátrica, costuma trazer melhores resultados. Atividade física regular e cuidado com o sono têm efeito comprovado sobre humor, cognição e sintomas vasomotores e compõem a base de qualquer estratégia de cuidado nessa fase.

Reconhecer esses sintomas não é fraqueza nem sinal de declínio profissional. São manifestações de processos reais, que merecem ser nomeados, investigados e tratados, em vez de silenciados em nome da produtividade.

A Inteligência Artificial já ocupa espaço concreto no universo jurídico brasileiro. Os números confirmam o movimento: segundo o Relatório sobre o Impacto da IA no Direito – Edição 2026, conduzido pelo Jusbrasil em parceria com a OAB, o ITS-Rio e a Trybe, 76% dos profissionais do Direito já utilizam IA para elaborar peças processuais, 59% para pesquisa jurídica e 58% para redação de pareceres. No campo dos escritórios, a Análise Advocacia 2026 aponta que 47% das bancas brasileiras já adotaram soluções de inteligência artificial, com destaque para contencioso de massa e grandes organizações.

O contexto explica a velocidade dessa adoção: excesso de informação, prazos cada vez mais curtos, múltiplas demandas simultâneas e a necessidade constante de atualização. Diante disso, a IA tem funcionado como um apoio operacional, especialmente em atividades como pesquisa jurisprudencial, organização de processos, elaboração inicial de minutas, análise de grandes volumes de dados e identificação de padrões em conjuntos extensos de documentos.

O ganho de tempo é um dos atrativos mais evidentes. Ao reduzir etapas em tarefas mecânicas, a tecnologia permite que o profissional concentre energia onde ela é realmente insubstituível: na análise jurídica, na construção argumentativa e na tomada de decisão. No próprio Judiciário, o avanço foi tamanho que o Conselho Nacional de Justiça editou, em março de 2025, a Resolução nº 615, que estabelece diretrizes para o desenvolvimento, o uso e a auditabilidade de ferramentas de inteligência artificial na Justiça, prevendo a obrigatoriedade de supervisão humana, classificação dos sistemas conforme o nível de risco e a realização de auditorias regulares.

Há, no entanto, um ponto que merece atenção. A IA não substitui interpretação jurídica, sensibilidade humana, nem responsabilidade técnica. Ferramentas automatizadas podem apresentar informações desatualizadas, incorrer em erros de contexto e, em situações já documentadas em diversos países, citar jurisprudência inexistente, as chamadas “alucinações”.

O desafio é aprender a utilizar a IA com discernimento. Na prática, isso significa reconhecer que ela pode organizar o trabalho e acelerar processos, mas não elimina a etapa indispensável de revisão, validação e responsabilização profissional pelo conteúdo produzido. A produtividade jurídica passou a depender menos de acumular informação e mais da capacidade de interpretar, selecionar e contextualizar dados com critério. Em um cenário cada vez mais acelerado, a principal habilidade talvez não seja competir com a tecnologia, mas saber utilizá-la sem renunciar ao olhar humano que sustenta a atividade jurídica.