Para muita gente, o dia só começa de fato depois do café. Ele acompanha a leitura das primeiras notícias, aparece no intervalo entre uma reunião e outra e faz companhia nas horas de trabalho que se estendem além do previsto. Ainda assim, uma pergunta persiste: café faz bem ou faz mal?
Depende. E depende, sobretudo, de dois fatores: a quantidade e o modo como cada organismo reage à cafeína. Em julho de 2026, a American Heart Association publicou uma declaração científica que revisa as evidências mais recentes sobre a cafeína e a saúde cardiovascular. A conclusão tranquiliza quem não abre mão do cafezinho: para a maioria dos adultos, o consumo moderado não está associado a um maior risco cardiovascular. Há inclusive estudos que relacionam o hábito a uma incidência menor de certas condições, como doenças do coração, AVC e diabetes tipo 2.
Isso não significa que quanto mais, melhor. Boa parte dessas pesquisas identifica associações, não relações de causa, de modo que não se pode afirmar que o café, isoladamente, responda pela proteção observada.
Convém lembrar que a cafeína não age igualmente em todas as pessoas. Há quem tome um café à noite e durma tranquilamente; outros percebem insônia, palpitações, agitação ou elevação da pressão arterial mesmo em pequenas quantidades. Como referência, até 400 mg de cafeína por dia costuma ser um limite seguro para adultos saudáveis, embora esse valor não se traduza num número exato de xícaras: a concentração varia conforme o tipo de grão, a quantidade e o modo de preparo.
Na prática, se o café já faz parte da sua rotina, não há razão para abandoná-lo sem uma orientação específica. O que importa é observar o próprio corpo. Se ele passou a comprometer o sono, provocar palpitações ou exigir doses cada vez maiores para manter o estado de alerta, talvez seja hora de rever o consumo.
Fica ainda um último ponto: café não substitui descanso. Quando a xícara passa a ser usada de forma recorrente para compensar noites mal dormidas, o problema quase nunca está no café.
Fontes: American Heart Association, Scientific Statement Caffeine and Cardiovascular Disease, 2026; U.S. Food and Drug Administration, FDA










