Fertilidade feminina e obesidade

Fertilidade feminina e obesidade

Quinta-feira, 01 de Março de 2018

FERTILIDADE FEMININA E OBESIDADE 

A infertilidade é definida como a falta de concepção após um ano de relações sexuais regulares em mulheres 35 anos . 

Os dados epidemiológicos sugerem que 10% a 15% de todos os casais terão dificuldades para conceber (infertilidade primária) ou conceber o número de crianças que eles queriam (infertilidade secundária). 

Com base em uma pesquisa realizada em países desenvolvidos,as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) que a infertilidade feminina é responsável por 37% das causas na infertilidade dos casais, a infertilidade masculina por 8% e ambas as causas – masculino e feminina – por 35%.

Os fatores identificáveis ??mais comuns que explicavam a infertilidade feminina, são distúrbios ovulatórios  (25%), endometriose (15%), adesões pélvicas (11%), bloqueio de trompas (11%), outras anormalidades tubáricas(11%) e hiperprolactinemia (7%).

A obesidade está associada a muitos efeitos negativos relacionados a fertilidade feminina assim como defechos insatisfatórios  maternos e fetais. 

A mulher obesa é mais propensas a ter disfunção ovulatória devido à desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, com fecundidade reduzida mesmo quando apresentam ciclos menstruais regulares e demonstram resultados mais desfavoráveis quando comparado a não obesa em relação a  fertilização in vitro, comprometendo principalmente a implantação do embrião. 

Após a nidação o tecido adiposo , através da liberação de citocinas inflamatórias promove um estado de inflamação crônica interferindo no desenvolvimento do embrião.O estado inflamatório estende-se até a estrutura placentária promovendo maiores taxas  de aborto espontâneo, prematuridade e pré-eclâmpsia na população obesa. 

Deve ser almejado estratégias não medicamentosas , tais como : dieta e atividade física associada,  se necessário a terapias medicamentosa ou cirúrgica para redução da obesidade.

Em uma série de publicações, escolhas dietéticas,tais como :  proteínas animais magras , vegetais, fitoesteróis , restrição da ingesta de carboidratos totais  a no máximo 40% do valor calórico total , evitando gorduras trans e alimentos refinados, demonstraram estar associadas a riscos diminuídos de infertilidade ovulatória. 

Atividade física por sua ação anti inflamatória direta pode contribuir para sucesso das taxas de fertilidade . A cirurgia bariátrica contribui para elevação da fecundidade , principalmente após perdas maiores 50% do excesso de peso , que ocorrem principalmente nos primeiros 2 anos após o ato cirúrgico.

PONTOS CHAVES  

  • Existe uma epidemia de obesidade entre homens e mulheres em idade reprodutiva.
  • Numerosos estudos epidemiológicos e observacionais demonstram efeitos adversos da obesidade em vários estágios do processo reprodutivo, embora os mecanismos subjacentes sejam amplamente desconhecidos.
  • De todas as evidências que ligam a obesidade à resultados reprodutivos adversos, a mais preocupante é a demonstração de vínculos entre a obesidade materna pré-conceitual e a doença a longo prazo na prole.
  • A perda de peso através de intervenções de estilo de vida , medicamento ou terapia cirúrgica pode melhorar a função reprodutiva e os resultados.
  • Dada a epidemia de obesidade em mulheres e homens em idade reprodutiva, os esforços para entender o impacto da obesidade sobre a função reprodutiva e os resultados são um componente importante da futura política de saúde pública. 

1. Harris ID, Python J, Roth L, Alvero R, Murray S, Schlaff WD. Physicians’ perspectives and practices regarding the fertility management of obese patients. Fertility and sterility. 2011 Oct;96(4):991–992.[PubMed]2. Koning AM, Mutsaerts MA, Kuchenbecker WK, et al. Complications and outcome of assisted reproduction technologies in overweight and obese women. Hum Reprod.  3. Bryzynski R, Fox J, Zera C, Lehmann L. Weight limits for access to fertility services: Discriminatory or nonmaleficence? 4. Politi MC, Han PK, Col NF. Communicating the uncertainty of harms and benefits of medical interventions. Medical decision making : an international journal of the Society for Medical Decision Making.  

Daniela da Maia Fernandes

Endocrinologista Especialista / Membro Titular da SBEM

Assessora Médica Felippe Mattoso / Labs A+


Alimentação da Mulher

Nosso corpo é uma máquina e toda máquina precisa de um combustível. O combustível para o nosso corpo é o alimento. Sendo assim, precisamos escolher bem que alimento que vamos ingerir para o bom funcionamento do nosso organismo, não só para fornecer energia, mas para prevenir e até tratar doenças.

Considerando março o mês da mulher, vamos falar sobre alguns alimentos importantes para a saúde feminina e também que podem retardar o processo de envelhecimento.

O silício é um mineral que promove a síntese do colágeno que é uma proteína presente na pele, cabelo, unhas e demais tecidos. Aveia, painço, cevada, batata e trigo integral são ricos neste mineral. O silício juntamente com o óleo de linhaça, licopeno, carotenoides, vitamina E, zinco e selênio tem papel muito importante nesta síntese, podendo assim postergar o envelhecimento da pele e promover fotoproteção. Melancia e tomate são ricos em licopeno. Vegetais amarelos e verde escuros em carotenoides. Sementes de girassol, amêndoas, avelã e nozes em vitamina E. Ostras, camarão e carnes em geral são ótimas fontes de zinco e a Castanha do Brasil riquíssima em selênio. Logo, estes alimentos devem fazer parte da rotina alimentar das mulheres que desejam retardar a flacidez e as rugas.

Todos sabemos que o ácido fólico ou vitamina B 9 é essencial para a gestante pois previne doenças do tudo neural no bebê. Os vegetais verde escuros crus são ricos nesta vitamina. Entretanto, atenção às suplementações em altas doses de ácido fólico durante a gravidez, pois poderão causar hipermetilação do DNA e consequentemente crescimento celular desregulado.

Para as mulheres mais maduras os fitoestrógenos, substâncias com atividades semelhantes ao estrógeno, auxiliam no alívio dos sintomas indesejáveis do climatério ou menopausa. As isoflavonas da soja contidas principalmente nos produtos fermentados como tofú e tempeh e as folhas da amora utilizadas na forma de infusão, tintura ou extrato seco podem ajudar muito a amenizar os fogachos, irritabilidade e a insônia que surgem nesta fase.

Como vimos, nutrição é coisa séria. A alimentação adequada contribui para a qualidade de vida, não só para as mulheres, mas para todos. Homens, adolescentes, crianças, idosos, gestantes necessitam consumir o combustível correto para o corpo, e este se encontra na natureza, e não nas prateleiras dos supermercados.

Feliz mês da Mulher!

Edna Garambone- CRN4- 84100080

Nutricionista Especialista em Nutrição Clínica

Especialização em Nutrição e Fitoterapia Funcional

Rua Voluntarios da Patria, 190 – Botafogo – Rio de Janeiro

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Cuidar da saúde mental nem sempre depende do fim de semana ou de um plano elaborado. Às vezes, basta uma hora bem usada em um jardim, uma livraria silenciosa ou diante de uma bela vista. O Rio, apesar do ritmo, oferece esses respiros, e vale a pena conhecê-los.

O Jardim Botânico segue sendo o mais óbvio e, ainda assim, subestimado. Caminhar entre as palmeiras imperiais logo cedo, antes dos grupos turísticos, funciona como uma espécie de meditação acidental. Ao lado, o Parque Lage abriga o Plage Café, instalado num palácio aos pés do Corcovado, bom para uma conversa sem pressa ou uma manhã de leitura.

Na Zona Sul, a Livraria da Travessa de Ipanema continua sendo um dos refúgios mais generosos da cidade. Aberta até as 22h, com café no andar superior e jazz ao fundo, é o tipo de lugar onde se passam duas horas sem perceber. No Centro, entre um fórum e outro, o Real Gabinete Português de Leitura tem entrada gratuita e um efeito restaurador surpreendente: bastam quinze minutos sob as estantes de madeira escura.

Para uma manhã mais longa, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio), no Aterro, reúne boas exposições, os jardins de Burle Marx e uma vista privilegiada da Baía. E, quando o expediente termina cedo, o Mirante Dona Marta entrega o Rio inteiro em poucos minutos de subida, daquelas paisagens que recolocam tudo no tamanho real.

A lista poderia ser maior. Caberiam o Parque do Flamengo numa caminhada de fim de tarde, o Mosteiro de São Bento numa visita silenciosa, o Sítio Burle Marx num sábado mais folgado. O ponto é simples: em cada esquina, a cidade oferece um convite à pausa. Basta aceitá-lo.

O cérebro representa cerca de 2% do peso corporal, mas consome aproximadamente 20% da energia produzida pelo organismo. Essa demanda precisa ser atendida de forma estável, sob o risco de comprometer atenção, memória e capacidade de decisão nos momentos em que o desempenho mental é mais exigido.

A hidratação tem peso maior do que costuma receber nesse debate. Uma pesquisa publicada no British Journal of Nutrition demonstrou que uma perda de apenas 1,5% do peso corporal em água é suficiente para reduzir a memória de trabalho, a atenção e o tempo de reação, mesmo sem alteração da temperatura corporal. As funções mais afetadas são justamente as exigidas em leitura crítica, análise documental e raciocínio jurídico e a recomendação geral é consumir entre 30 e 35 ml de água por quilo de peso ao longo do dia, sem esperar a sede como sinal de alerta.

O café merece consideração à parte. A Food and Drug Administration (FDA) considera segura para adultos saudáveis a ingestão diária de até 400 mg de cafeína, o equivalente a três ou quatro xícaras, e recomenda evitar o consumo após as 14h, já que o efeito pode persistir por até oito horas no organismo. A Sociedade Brasileira de Cardiologia trabalha com parâmetros semelhantes. Importante lembrar que a cafeína mascara a sensação de cansaço, mas não substitui o sono, e o uso recorrente para compensar noites mal dormidas tende a produzir um ciclo difícil de quebrar.

Entre os aliados do bom desempenho cognitivo estão peixes ricos em ômega-3, oleaginosas e abacate, frutas vermelhas e cítricas, vegetais de folhas verdes escuras e cereais integrais, que oferecem energia de liberação lenta e evitam os picos e quedas característicos do açúcar refinado. A estratégia mais eficaz para rotinas intensas, no entanto, está menos na escolha de alimentos específicos e mais na regularidade: comer em intervalos de três a quatro horas, em pequenas porções, evita longas pausas seguidas de refeições pesadas, que comprometem a concentração no período seguinte.

Cuidar da alimentação em dias de cabeça pesada é parte da estratégia profissional. O retorno aparece na clareza mental, na disposição sustentada e na capacidade de manter o rendimento até o fim da jornada.

Cinco hábitos simples para dias de alta demanda:

✓ Comece o dia com um copo de água em jejum e mantenha uma garrafa visível na mesa;

✓ Coma a cada três ou quatro horas, com lanches leves entre as refeições principais;

✓ Inclua proteínas, gorduras boas e cereais integrais nas refeições principais;

✓ Reduza doces e ultraprocessados, que geram pico de energia seguido de queda rápida;

✓ Limite o café a até 400 mg de cafeína por dia e evite o consumo após as 14h.

Cansaço que não passa com o fim de semana, noites mal dormidas que se acumulam, falta de paciência com situações triviais e dificuldade para sustentar o foco em uma audiência longa ou na leitura de um processo complexo. Para muitas mulheres na faixa dos 40 e 50 anos, esse conjunto de sinais costuma ser lido como esgotamento profissional, quando, na verdade, pode ter origem hormonal, ou nas duas coisas ao mesmo tempo.

A confusão tem explicação biológica. O estrogênio tem papel fundamental na produção de energia no cérebro e sua diminuição na perimenopausa afeta regiões ligadas à regulação da temperatura corporal, ao sono, à memória, ao humor e à libido. Aproximadamente dois terços das mulheres nessa fase relatam sintomas cognitivos como problemas de memória e déficits de atenção, ao lado das ondas de calor e da irregularidade menstrual. A transição costuma ser longa, podendo durar de quatro a dez anos, com sintomas que começam já na faixa dos 35 a 45 anos, muito antes do diagnóstico convencional.

No cenário profissional, o impacto é mensurável. Estudo da Mayo Clinic estima que cerca de 1,8 bilhão de dólares sejam perdidos por ano em razão dos sintomas da menopausa e que uma em cada dez mulheres deixa o emprego nesse período, frequentemente relatando falta de concentração e redução de energia. A sobreposição com o burnout merece atenção especial em profissões de alta exigência cognitiva e carga emocional, como a magistratura e a advocacia, sobretudo quando se somam prazos rígidos, exposição a conflitos e dupla jornada.

A pista mais útil para diferenciar os quadros é olhar para o conjunto de sintomas. Ondas de calor, suores noturnos e irregularidade menstrual apontam para o eixo hormonal, enquanto o cinismo em relação ao trabalho, a sensação de despersonalização e a perda de propósito profissional são mais característicos do burnout. Quando os dois coexistem, tratar apenas um pode deixar a outra metade do problema sem resposta e por isso o olhar integrado, com avaliação ginecológica, clínica e, quando necessário, psicológica ou psiquiátrica, costuma trazer melhores resultados. Atividade física regular e cuidado com o sono têm efeito comprovado sobre humor, cognição e sintomas vasomotores e compõem a base de qualquer estratégia de cuidado nessa fase.

Reconhecer esses sintomas não é fraqueza nem sinal de declínio profissional. São manifestações de processos reais, que merecem ser nomeados, investigados e tratados, em vez de silenciados em nome da produtividade.